Blog do Prego

Carta fechada ao passado

Há muito tempo que eu não sei o que fazer sobre você.

Há muito tempo que eu não sei o que fazer sobre o que eu sinto por você.

Agora, eu não sei nem por onde começar a não saber o que fazer sobre você.


É sempre assim: um, dois encontros; uma emoção, um carinho.

Então, as mensagens, o contato, o cotidiano meu e seu juntos.

Mas aí você vai embora sem nem dizer tchau, começa a diminuir a temperatura de algo que nos aquecia.

Aos poucos, vai desaparecendo do meu dia a dia.

Aos poucos, cava um abismo indescritível e me mostra que, na verdade, não está tudo bem.


Como pode essa falta me doer tanto? Nós nem estamos juntos e a última vez que o estivemos eu ainda era menino.

Mesmo assim, sinto o que nunca senti e o que - por mim - nunca sentiria.


Até que você volta.

Faz como se nada tivesse acontecido, como se nada tivesse mudado e, como que continuando um filme, faz questão de se aproximar cada vez mais de mim.

Partindo, sempre, exatamente de onde paramos.


Abre-se a pergunta: e agora? Como passar por isso sem muito drama? Sem muita emoção?

Até onde podemos nos aproximar sem nos tocar, sem nos envolvermos ao ponto que não haja mais retorno?

A essas perguntas eu não tenho nem uma letra, nem um fonema da resposta.

Mesmo assim, elas não param de me atormentar.

“Não sei!”


Eu sei que já estou profundamente envolvido com isso.

E sei que você, mesmo que da sua própria maneira, também está.

Na verdade, eu só queria que você sentasse consigo mesmo e entendesse o que é que você quer.

A sua própria honestidade me afeta porque te impede de ser honesta comigo. E isso dói.

Mas não sei quando devo lhe dizer isso - quem sabe no fim.


Assim, me aproximo do meu limite.

Ainda sem saber como passar por cima disso, sinto que serei forçado a aprendê-lo muito em breve.

É a última coisa que eu quero.

“Que inferno, de jeito nenhum”

Mas, sinceramente, não vejo outra opção.


Não direi aqui o que quero, pois você sabe muito bem o que quero.

Mas, se quiser, te explico de novo.

Quantas vezes forem necessárias para você entender que sim, eu te amo, e que não, não é brincadeira.


Você pode confiar em mim.

Eu sei que, principalmente para você, isso é quase impossível.

Ainda mais quando o assunto é nós dois.

Mas eu prometo que vai valer a pena.

Te dou a minha palavra.